Tensão no PT: Zeca Dirceu deixa escapar divisões internas

Tensão no PT: Zeca Dirceu deixa escapar divisões internas
Surgiram indícios de crescente descontentamento entre os membros do Partido dos Trabalhadores (PT) no Congresso Nacional, sinalizando um racha que vem à tona nos bastidores. A falta de encontros entre o ex-presidente Lula e as bancadas do PT da Câmara e do Senado desde o início de seu novo mandato contrasta fortemente com a prática adotada durante sua gestão anterior, quando tais reuniões eram frequentes.

O deputado Zeca Dirceu (PR), líder da bancada petista na Câmara, expressou sua surpresa em relação à ausência de encontros com o presidente, salientando que tal situação é inédita. "É estranho que o presidente ainda não tenha se encontrado com a bancada do PT. Isso nunca ocorreu", afirmou ao jornal O Globo.

Durante seu primeiro mandato, Lula mantinha uma rotina de reuniões regulares com os membros do PT no Congresso. Por exemplo, em 30 de abril de 2003, ele almoçou com os 92 deputados do partido, um dia antes de apresentar propostas significativas de reforma.

A justificativa para a falta de encontros com as bancadas petistas pode ser atribuída à necessidade de Lula de equilibrar sua agenda com as demais bancadas que compõem a base aliada do governo, visando evitar qualquer sinal de favorecimento. Além disso, uma parcela considerável de seu primeiro ano de mandato foi dedicada a compromissos internacionais.

Não apenas os legisladores petistas expressam descontentamento; o próprio presidente manifestou frustração com o desempenho de seus representantes políticos no Congresso. Durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, Lula criticou a falta de proatividade de seus articuladores, destacando especialmente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por não investir o suficiente em negociações no Senado e na Câmara.

"Haddad, ao invés de ler um livro, tem que perder algumas horas conversando no Senado e na Câmara", declarou Lula. Em resposta a essa crítica, Haddad afirmou: "Eu só faço isso da vida".
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